A literatura econômica mostra que o crescimento do endividamento se dá em um período onde a taxa de juros costuma estar mais baixa, não mais alta, pois esta última inibe a contração de dívida, ponderou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento na última semana.
A autoridade monetária comparou a alta na concessão de crédito pelas instituições e o consequente peso no bolso da população, dizendo que “não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento [também] cresceu”.
De fato, quando o BC derrubou a taxa básica de juros do país, a Selic, durante a pandemia, o custo do empréstimo pelos bancos ficou mais barato e o público buscou aproveitar o momento para sacar dinheiro.
“A forte expansão do crédito foi gestada no momento em que os receios quanto aos desdobramentos da pandemia levaram a um forte afrouxamento na política monetária”, relembra Everton Gonçalves, diretor de Economia, Regulação e Produtos da ABBC (Associação Brasileira de Bancos)
“Naquele momento tinha uma crise global, de retração econômica, tudo paralisado. Para estimular a economia era necessário”, ressalta Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
Em seguida do barateamento, veio o choque. A inflação provocada pela pandemia forçou o Banco Central a voltar a apertar os juros, que chegaram a ficar no patamar de 13,75% por mais de um ano.
