Pelas ruas de Florença, a magnífica cidade italiana consagrada como o berço do Renascimento, a cor violeta predomina entre os fãs de futebol. A despeito da seca de títulos (o último veio na virada do século XXI) o florentino que ousa não torcer pela Fiorentina tende a receber olhares de reprovação. Se a escolha for pela rival Juventus, então, a tendência é receber um xingamento em bom toscano, o dialeto com o qual o filho mais célebre da cidade, Dante Alighieri, escreveu a Divina Comédia, e que, séculos depois, deu origem ao idioma que unificou a Itália.
A AC Fiorentina, que neste sábado, 29 de agosto, completa 100 anos de vida, tem uma história bem menos gloriosa que a dos artistas que colocaram Firenze (como é chamada a cidade em italiano) em todo livro de história que se preze. Há poucos anos, o clube chegou até a passar do purgatório financeiro ao inferno da falência. Mas ressurgiu, e nem mesmo a goleada por 4 a 0 na última partida, contra a Roma, impediu que os tifosi festejassem o centenário de um dos clubes mais tradicionais do Calcio, cuja identidade única é simbolizada pela cor roxa. A réplica do David de Michelangelo, exposta na Piazzale que leva o nome do célebre pintor e escultor, não poderia ficar de fora das celebrações.
