Só ler ou pensar na palavra “bocejo” já é gatilho suficiente para fazer boa parte das pessoas bocejar. Não é força de expressão: o fenômeno é real, batizado por pesquisadores de contágio do bocejo, e acontece porque o cérebro processa a simples ideia de bocejar de um jeito parecido com o de ver alguém bocejando ao vivo.
O que ainda intriga a ciência é o motivo, por que bocejamos, para começo de conversa, e por que esse ato se espalha entre pessoas, e até entre espécies diferentes, com tanta facilidade.
Não existe consenso fechado sobre nenhuma das duas perguntas. Hoje, duas hipóteses concorrem para explicar a função biológica do bocejo, e uma terceira linha de pesquisa tenta entender por que ele contagia, ligando o fenômeno à proximidade social e à empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro.
Duas teorias, nenhuma vencedora
A hipótese mais conhecida é a do resfriamento cerebral. Segundo essa ideia, o bocejo, uma inspiração profunda seguida de abertura ampla da mandíbula, aumenta o fluxo de sangue e de ar para a região da cabeça, ajudando a baixar a temperatura do cérebro em momentos em que ele está menos eficiente, como no sono ou no tédio. Uma pesquisa de 2014 associada ao biólogo Andrew Gallup, da universidade estadunidense SUNY Oneonta, relaciona maior frequência de bocejos a ambientes mais quentes.
A segunda hipótese trata o bocejo como um regulador do estado de alerta.
