Quase 200 mil pessoas foram deportadas à força para o Haiti nos primeiros oito meses deste ano, disse um funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas) em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança nesta sexta-feira (28), dias depois de um ataque brutal de gangues ter matado quase 50 pessoas perto da capital.
O retorno forçado representa pelo menos 20 mil pessoas a mais do que no mesmo período do ano passado, disse Indrika Ratwatte, secretária-geral adjunta interina para assuntos humanitários, durante a reunião.
O ataque de domingo (23) à noite ocorreu dias depois de o Haiti ter recebido seu primeiro voo de deportação dos Estados Unidos desde que o governo Trump venceu uma batalha judicial que pôs fim ao Status de Proteção Temporária para cerca de 350 mil haitianos.
Na quinta-feira (27), outro voo chegou com migrantes dos EUA e das Bahamas.
Entretanto, analistas de segurança haitianos alertaram que a entrada maciça de armas ilegais no país está agravando o conflito que já causou mais de 21 mil mortes desde 2022.
A ONU estima que a maioria das armas no Haiti seja originária do sudeste dos Estados Unidos, embora muitas sejam contrabandeadas para o país através da fronteira terrestre com a República Dominicana.
