A Turritopsis dohrnii consegue fazer algo extremamente raro entre os animais: depois de chegar à fase adulta, ela pode voltar a uma etapa anterior de seu desenvolvimento. Em vez de seguir diretamente para o fim do ciclo de vida, a água-viva pode retornar ao estágio de pólipo, uma forma mais jovem e presa a uma superfície.
Esse processo é chamado de transdiferenciação, quando uma célula já especializada muda de função e passa a exercer outro papel. Na prática, o organismo desmonta parte de sua estrutura adulta e reorganiza seus tecidos para voltar a uma fase anterior do desenvolvimento. É por isso que a espécie ficou conhecida como “água-viva imortal”.
A água-viva consegue reiniciar seu ciclo
O ciclo de vida da Turritopsis dohrnii normalmente começa com o pólipo. A partir dele surgem pequenas medusas, que crescem até chegar à fase adulta. O que torna essa espécie diferente é a possibilidade de fazer o caminho inverso.
Quando a água-viva adulta sofre danos, envelhece ou é submetida a condições desfavoráveis, ela pode iniciar a reversão. O corpo perde as características da fase adulta e passa por uma etapa intermediária, chamada cisto. Depois, o tecido se reorganiza até formar novamente um pólipo.
Um estudo publicado em 2019 na revista G3: Genes, Genomes, Genetics, assinado por Yui Matsumoto, Stefano Piraino e Maria Pia Miglietta, analisou justamente esse processo.
