A maioria das pessoas não consegue recuperar lembranças detalhadas dos primeiros anos de vida. Esse fenômeno é conhecido como amnésia infantil e está relacionado ao desenvolvimento do cérebro, que ainda passa por mudanças importantes nessa fase.
Isso não significa que bebês não tenham memória. Eles aprendem, reconhecem pessoas e retêm informações desde cedo. O que costuma desaparecer são as lembranças conscientes de acontecimentos específicos, como uma viagem, uma festa ou um passeio. Esse tipo de recordação é chamado de memória episódica.
O hipocampo passa por mudanças importantes
Uma das áreas do cérebro ligadas à memória é o hipocampo. Ele ajuda a registrar e recuperar lembranças de acontecimentos e experiências.
Uma das explicações estudadas para a amnésia infantil envolve a neurogênese, processo de formação de novos neurônios. Em 2012, Sheena A. Josselyn e Paul W. Frankland levantaram a hipótese, em artigo publicado na revista Learning & Memory, de que a intensa produção de novos neurônios no hipocampo durante os primeiros anos de vida poderia atrapalhar a permanência de algumas lembranças.
A ideia ganhou força com experimentos realizados em 2014 por pesquisadores do The Hospital for Sick Children, em Toronto. Publicado na revista Science, o estudo mostrou uma relação entre a maior produção de novos neurônios e o esquecimento mais rápido de determinadas memórias em animais jovens.
