A expectativa para um El Niño extremo - o chamado “Super El Niño” - acende um sinal de alerta vermelho. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e referência internacional em aquecimento global, o cenário atual exige atenção máxima. “As chances de este ser um dos eventos mais intensos já registrados são extremamente elevadas. Por isso, precisamos estar muito preparados”, adverte.
Uma análise recente com base em oito grandes eventos passados revelou uma dinâmica preocupante na Amazônia: o aquecimento das águas oceânicas trava o regime de chuvas, resseca a floresta e prepara o terreno para um aumento assustador dos incêndios florestais.
Os impactos mais graves desse fenômeno climático, no entanto, não acontecem imediatamente durante o seu ápice, mas sim no ano seguinte. Especialistas alertam que o El Niño atual deve ganhar força nos próximos meses, atingindo o pico entre outubro e dezembro. Com isso, os efeitos mais devastadores do fogo sobre a Amazônia tendem a se manifestar com intensidade máxima em meados do próximo ano.
O que um El Niño mais forte pode representar para a Amazônia
O estudo foi conduzido pelo Programa de Monitoramento da Amazônia Andina, vinculado à organização Amazon Conservation.
