O Brasil já experimentou, em diferentes regiões e sob diferentes formas, o custo de uma infraestrutura logística pouco preparada para eventos climáticos extremos. A severa estiagem de 2024 na Região Amazônica restringiu a navegação de grandes embarcações no Porto de Manaus, elevando os custos logísticos e gerando impactos econômicos bilionários. A queda drástica da profundidade do Rio Negro e dos rios de apoio limitou o transporte, enquanto alternativas como o deslocamento pelo aéreo atenderam apenas produtos de maior valor agregado e baixo peso, e sobrecarregaram o sistema rodoviário, principalmente a BR-319.
Estima-se que a estiagem tenha imposto custo extra de R$ 34 bilhões às empresas do Polo Industrial de Manaus. Destacaram-se a formação de estoques de segurança para evitar a escassez de insumos, matérias-primas e componentes e a “taxa da seca”, relacionada ao maior custo de frete na cabotagem e à utilização de embarcações menores. As linhas de produção mais afetadas foram as de motocicletas, eletroeletrônicos, bens de consumo e químicos. A restrição à navegação de grandes porta-contêineres provocou escassez temporária de componentes e até antecipação de férias coletivas. O encarecimento do frete reduziu margens e competitividade e afetou também a arrecadação de ICMS e impostos federais.
