O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou de opinião sobre a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2023, defendia a tributação de produtos importados para proteger a indústria nacional. Em maio de 2026, depois de identificar que a cobrança era impopular e poderia prejudicá-lo nas eleições, zerou o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50.
Lula também mudou a justificativa. Agora, diz que o fim da taxa é uma questão de “justiça”. Compara os US$ 50 das compras on-line às cotas de quem viaja ao exterior e pode trazer produtos sem pagar Imposto de Importação. O presidente menciona ainda as compras em free shops de aeroportos.
O novo argumento de Lula responde ao consumidor que quer comprar produtos mais baratos do exterior. Mas não à indústria nacional, já que os impostos pagos por quem produz e vende no Brasil seguem os mesmos.
“Se a gente pergunta para o consumidor final, ele vai dizer que o fim da ‘taxa das blusinhas’ é ótimo, porque é melhor para o bolso. Mas, para quem fabrica, já começa de forma desleal, porque o custo de produção lá na China é muito inferior ao custo que se tem no Brasil”, disse o advogado tributarista Flávio Júnior.
Desemprego e empresas quebradas
Sócio-administrador da F7 Produções, Flávio Júnior organiza a feira Boné Brasil, que reúne fabricantes e vendedores de Serra Negra do Norte (RN), cidade de 7.000 habitantes que é conhecida como a “Terra dos Bonés”.
O polo reúne 50 fábricas e mais de 500 vendedores.
