O preço do leite pago ao produtor registrou alta de 33% no primeiro semestre do ano, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Com a oferta de leite cru mais apertada, os laticínios passaram a pagar mais pela matéria-prima. Parte desse aumento já chega ao consumidor. No acumulado de 2026, os preços do leite ao consumidor registram alta de 23%.
Essa valorização é resultado da combinação de dois fatores sazonalidade da produção e aumento do consumo. Entre junho e agosto com o avanço da seca e do frio ocorre a entressafra, período caracterizado pela queda da produtividade das pastagens. Com isso, a disponibilidade de leite tende a diminuir em boa parte das regiões produtoras. Ao mesmo tempo, no inverno há o aumento do consumo de bebidas e alimentos à base de leite.
Segundo Paulo Martins, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, apesar das recentes altas, a expectativa é de que o cenário comece a mudar a partir de setembro.
“Com a chegada da primavera, a recuperação das pastagens e a melhora gradual das condições de produção devem aumentar a oferta de leite”,diz.
Alta dos custos desacelera
De acordo com dados da Embrapa, o custo de produção do leite subiu 1,14% em julho, interrompendo uma sequência de quedas registrada desde março. No acumulado de janeiro a julho, a alta dos custos foi de 2,6%. Em 12 meses, o avanço chegou a 1,7%.
