O Brasil tem uma forte capacidade de atrair dólares, o que ajuda a explicar a resistência do real mesmo diante das preocupações com as contas públicas, segundo o investidor, gestor do Fundo Verde. Para ele, a força das exportações e a entrada de investimento estrangeiro ajudam a reduzir a pressão sobre o câmbio.
Em entrevista ao programa “Ponto de Vista”, do Nubank com a InvestNews, Stuhlberger afirmou que o Brasil é uma “máquina de produzir dólar”. O ex-presidente do Banco Central conduz o programa, que foi gravado em 3 de agosto e publicado na 5ª feira (27.ago.2026).
DÓLARES SUPERAM DEFICIT
Os dados mais recentes do BC (Banco Central) dão respaldo à avaliação de Stuhlberger.
Em julho, o deficit em transações correntes acumulado em 12 meses chegou a US$ 62,9 bilhões, equivalente a 2,4% do PIB. No mesmo período, o IDP (Investimento Direto no País) somou US$ 88,4 bilhões, ou 3,5% do PIB. Eis a íntegra (PDF - 440 kB).
Ou seja, o país recebeu mais dólares em investimentos diretos do que precisou para cobrir o deficit de suas transações com o exterior. Essa entrada ajuda a financiar as contas externas e reduz a pressão sobre o câmbio, mesmo quando há preocupação com a situação fiscal.
A balança comercial também contribui para a entrada de dólares. Em julho, o Brasil registrou superavit de US$ 6,2 bilhões, com exportações de US$ 34,2 bilhões e importações de US$ 28,1 bilhões.
Em junho, as exportações haviam atingido o recorde de US$ 36,4 bilhões na série do BC.
