Nos últimos dois meses, passei boa parte do tempo entrando e saindo de minas, antigas áreas industriais, projetos de reconversão e cidades que, em algum momento, precisaram responder a uma pergunta que nós, no Brasil, ainda fazemos pouco: o que acontece com um território quando a mineração deixa de ocupar o lugar que teve durante décadas?
Foram dez países, entre América do Norte e Europa, nessa etapa das gravações de “Um Futuro Possível”, série documental que idealizei e co-produzimos com a Dromedário Filmes, para investigar diferentes caminhos construídos por territórios minerários. A viagem não começou para me convencer de que é preciso planejar o pós-mineração antes do fechamento de uma mina. Essa é uma missão que já escolhi abraçar. O que eu queria ver de perto era como outros lugares haviam enfrentado esse desafio, quais escolhas fizeram e, principalmente, o que poderíamos aprender com seus acertos e erros.
Em Sudbury, no Canadá, desci quase dois quilômetros para conhecer o SNOLAB, laboratório instalado dentro de uma mina de níquel em operação. Enquanto a atividade mineral mantém sua rotina, cientistas de diferentes países estudam neutrinos, matéria escura e algumas das questões mais complexas da física. No País de Gales, antigas estruturas ligadas à extração de ardósia abriram espaço para turismo e aventura.
