Quando Alison dos Santos, que nesta quinta-feira pulverizou, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras (45,80s), surgiu no atletismo antes mesmo de completar 20 anos, o público achava que ele era mais velho. O motivo: cicatrizes muito visíveis na cabeça.
No início, muitos confundiram as marcas com um caso de alopecia precoce. Por isso, sua juventude surpreendia a todos, até que sua história se tornou conhecida: com apenas dez meses de vida, um acidente doméstico envolvendo óleo fervente o deixou hospitalizado por meses.
Nascido em São Joaquim da Barra, a pouco mais de 300 km de São Paulo, Alison cresceu com seus pais, Sueli e Gérson, mas também passava muito tempo na casa de sua avó Geli, onde ocorreu o acidente que mudou sua vida.
Geli estava fervendo óleo para fritar peixe quando um momento de descuido permitiu que o pequeno Alison agarrasse a frigideira.
A avó, na tentativa de protegê-lo, também ficou ferida. Os dois ficaram hospitalizados durante vários meses.
Ele foi internado no hospital de Barretos, onde comemorou seu primeiro aniversário.
Na infância, as sequelas do acidente - cicatrizes muito visíveis na cabeça e falhas no couro cabeludo - lhe causaram problemas de timidez extrema e até mesmo episódios de bullying na escola.
Ele era visto quase sempre usando um boné amarelo e encontrou refúgio no judô, praticado em um centro esportivo local onde se sentia protegido.
“Eu adorava aquilo, de verdade.
