A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) analisa um processo administrativo sancionador que apura se operações envolvendo ações da Marfrig Global Foods, MRFG3, em 2018 criaram condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos papéis para tentar manter a companhia na carteira do Ibovespa.
O processo envolve a empresa MMS Participações Ltda., Marcos Antonio Molina dos Santos, controlador da empresa, e Tang David, que à época era diretor da Marfrig.
Segundo a acusação, entre março e agosto de 2018, a MMS realizou sucessivas rolagens antecipadas de contratos a termo de ações da Marfrig, reduzindo de forma significativa o prazo das operações.
De acordo com o documento, a suspeita é de que a estratégia tenha sido utilizada para aumentar artificialmente o Índice de Negociabilidade, conhecido como IN, das ações e evitar a exclusão da companhia do principal índice da bolsa brasileira.
Antes do período investigado, entre janeiro e julho de 2017, a MMS mantinha uma posição comprada a termo de aproximadamente 17,85 milhões de ações MRFG3. As rolagens ocorriam, em média, a cada 288 a 300 dias.
Já entre março e agosto de 2018, período considerado crítico para o rebalanceamento do Ibovespa, o prazo médio das operações caiu para cerca de 40 dias. Em alguns casos, os contratos chegaram a ter apenas 16 dias, que era o prazo mínimo permitido pela B3.
No período, o volume total girado chegou a 79,5 milhões de ações MRFG3.
