O cantor Ney Matogrosso, 85, chamou atenção recentemente ao mostrar uma visita de Marisa Monte à sua fazenda para devolver uma preguiça-de-três-dedos que foi reabilitada pelo instituto parceiro do cantor.
O veterano da música adquiriu na década de 1990 um sítio em Saquarema, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, em meio à Mata Atlântica cerrada, com diversas nascentes e cortado por dois rios, um deles sendo o Rio Mato Grosso. Após mais de dez anos de tentativas, em 2010, Ney Matogrosso transformou parte do espaço em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), processo oficializado pelo Ibama, e desde 2015 tem parceria com o Instituto Vida Livre.
“Eu não desisti, eu levei dez anos para conseguir. Dez anos depois, transformei aquilo em uma RPPN, e há dez anos aquilo lá agora é uma área de soltura de animais silvestres”, explicou o cantor durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília, durante sessão em que se discutia o aumento das penas para crimes contra animais silvestres. Ao transformar em uma área de conservação ambiental, a proteção da biodiversidade se torna permanente, mesmo que venha a mudar de dono.
Em uma entrevista de 2020 ao Sesc, Ney Matogrosso citou que algumas espécies chegam e podem ser soltas imediatamente, enquanto outras precisam de uma quarentena para recuperarem sua saúde e depois serem soltas. “Lá tenho um lugar específico feito para animais reaprenderem a voar, por exemplo. Isso tudo faço com meu dinheiro”, explicou.
