O pedido de recuperação judicial do Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, não é apenas mais uma notícia empresarial. É um retrato do Brasil.
No processo, o grupo declarou à Justiça uma dívida de R$ 265,2 milhões. Segundo a empresa, a crise foi agravada pela pandemia, pelas mudanças nos hábitos de consumo, pelo crescimento das plataformas de entrega e pela forte elevação dos juros.
Cada empresa tem seus erros, suas decisões e suas responsabilidades. Não se pode atribuir toda dificuldade empresarial ao governo, aos juros ou ao ambiente econômico. Mas também não se pode ignorar o cenário.
Quando empresas de diferentes setores, tamanhos e regiões enfrentam o mesmo problema, já não estamos diante de casos isolados. Estamos diante de uma doença econômica.
O Brasil perdeu a margem
O Brasil se tornou um país muito caro para produzir, empregar e investir. A empresa paga impostos, energia, aluguel, salários, logística, tecnologia, matérias-primas e uma carga burocrática que consome tempo, dinheiro e competitividade.
Do outro lado, encontra um consumidor endividado, com a renda comprometida e cada vez menos espaço para aceitar aumentos de preços. A empresa fica presa.
Se aumenta o preço, perde clientes. Se mantém o preço, perde margem. Se reduz investimentos, perde competitividade.
Se procura capital de giro, encontra juros incompatíveis com a rentabilidade de grande parte das atividades econômicas.
