Símbolo de tradição cultural na Argentina, a carne bovina vem perdendo espaço no “assado” e no prato dos argentinos. O mais recente relatório da CICCRA (Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina) mostra que em julho o consumo per capita chegou a 46,3 quilos por habitante / ano, o patamar mais baixo das últimas duas décadas.
A queda de 9,4%, em 12 meses, representa 4,8 quilos a menos de carne bovina no prato anualmente.
Essa retração está acima da estimada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que projetava redução de 3,6% no consumo argentino em 2026.
Com menos animais para o abate, apetite externo crescente e inflação a carne bovina vem pesando no bolso do consumidor.
A oferta interna de carne bovina caiu 12,0% entre janeiro a julho: 163,4 mil toneladas a menos nas prateleiras, mercados e açougues do país, fazendo os preços dispararem acima da inflação do país.
Enquanto o índice geral de inflação da região metropolitana de Buenos Aires acumulou alta de 34,0%, em 12 meses, o grupo “carnes e derivados” disparou 42,9%.
E os cortes bovinos ficaram 52% mais caros no período. Superando muito a alta de 22,9% do frango inteiro e forçando o consumidor a buscar alternativas para manter o tradicional “assado”.
Segundo a câmara setorial, CICCRA, de janeiro a julho desse ano, o abate total recuou 9,8%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 7,09 milhões de cabeças abatidas.
