A decisão do presidente Donald Trump de ampliar temporariamente a importação de carne bovina para tentar reduzir o preço da carne moída provocou uma reação imediata entre pecuaristas e entidades do setor nos Estados Unidos. Quatro das principais organizações ligadas à pecuária americana pediram ao governo que reveja a medida, sob o argumento de que a entrada de até 300 mil toneladas de carne em 90 dias pode derrubar a remuneração dos produtores e atrapalhar a reconstrução do rebanho americano.
A preocupação é especialmente forte porque a pecuária dos Estados Unidos começa, agora, a dar os primeiros sinais de recuperação depois de anos de redução do número de animais. Para as entidades, aumentar a oferta de carne importada justamente neste momento pode aliviar o preço para o consumidor no curto prazo, mas retirar do produtor o incentivo econômico para ampliar o rebanho no médio e longo prazo.
A AFBF (American Farm Bureau Federation) foi uma das entidades que criticaram a decisão. A organização afirmou que medidas de curto prazo podem produzir efeitos negativos de longo prazo para produtores e consumidores. A National Cattlemen’s Beef Association também se posicionou contra a estratégia.
A reação ocorre depois de Trump assinar uma proclamação que autoriza, durante 90 dias, a entrada adicional de até 300 mil toneladas de carne bovina destinada à produção de carne moída, sem a tarifa adicional normalmente cobrada sobre volumes que ultrapassam as cotas existentes.
