Mais de 100 viajantes indianos, atualmente desaparecidos após as inundações na região de fronteira entre o Nepal e a China, percorriam uma das principais rotas da peregrinação anual no Monte Kailash, conhecido como Montanha Proibida.
Essa jornada sagrada atrai milhares de devotos para um dos terrenos mais remotos e imprevisíveis do Himalaia.
No hinduísmo, o Monte Kailash, no Tibete, é a morada eterna do Senhor Shiva e de sua esposa, Parvati, enquanto o Lago Manasarovar é considerado um dos locais mais sagrados dessa fé, para onde peregrinos vão rezar e buscar purificação espiritual.
A peregrinação também possui profundo significado para budistas e jainistas. Para muitos, realizar essa jornada pelo menos uma vez na vida é uma aspiração espiritual, apesar das exigências físicas e de outros riscos envolvidos.
O trajeto está longe de ser simples. Muitos viajam pelo Nepal antes de cruzar para o Tibete, região autônoma da China, percorrendo estradas de grande altitude em uma região particularmente vulnerável a deslizamentos de terra e inundações repentinas durante a estação das monções.
A rota que passa por Rasuwa, no Nepal, é um ponto de passagem fundamental para o Tibete.
A enchente de quarta-feira (26) destruiu a Ponte Miteri (que liga o Nepal à China), danificou estradas e interrompeu as conexões de telefonia móvel e fibra óptica, dificultando o contato de famílias e operadoras de turismo com os peregrinos que aguardavam para cruzar a fronteira.
