Algo colossal está puxando a Via Láctea e todo o Grupo Local, o conjunto de cerca de cem galáxias que inclui a nossa e a vizinha Andrômeda, a cerca de 600 quilômetros por segundo. Os astrônomos batizaram essa força de Grande Atrator, e ele fica escondido bem atrás do disco da nossa própria galáxia.
Não é um buraco negro gigante nem um único objeto. É uma concentração de massa, galáxias, gás e matéria escura, uma forma de matéria que não emite luz, mas cuja gravidade pode ser detectada pelo efeito que causa em tudo ao redor, grande o suficiente para desviar o movimento do Sol e da Terra junto com o resto da galáxia.
Por que ninguém consegue ver o Grande Atrator direto
O Grande Atrator fica na direção da constelação de Centauro, mas bem atrás do plano da Via Láctea, na chamada Zona de Ocultação. Essa faixa do céu é bloqueada pelo próprio disco da nossa galáxia: estrelas, gás e poeira em grande quantidade impedem que telescópios ópticos enxerguem o que existe atrás dela.
Para contornar o obstáculo, astrônomos recorrem a telescópios de rádio e de raios X, capazes de atravessar essa “cortina” cósmica e mapear indiretamente as galáxias escondidas.
O fenômeno foi detectado pela primeira vez entre as décadas de 1970 e 1980, quando um grupo de astrônomos apelidado de “Sete Samurais” notou que centenas de galáxias elípticas se moviam todas na mesma direção, numa velocidade que a simples expansão do Universo não explicava.
