O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, determinou nesta 4ª feira (26.ago.2026) a abertura de um procedimento específico para acompanhar a situação de Angra 3 e produzir informações sobre o futuro do projeto. A usina nuclear, localizada em Angra dos Reis (RJ), está com as obras paralisadas desde 2015.
A manifestação se deu depois do julgamento de uma auditoria de conformidade do Fiscobras 2026 sobre os principais contratos do programa de extensão da vida útil de Angra 1. O processo, relatado pelo ministro Jorge Oliveira, levou integrantes da Corte a questionarem a demora do governo em decidir se concluirá ou abandonará Angra 3.
O ministro Benjamin Zymler iniciou a discussão. Segundo ele, o governo já investiu cerca de R$ 8 bilhões no projeto e precisaria aportar mais R$ 20 bilhões para concluir a usina, que terá capacidade instalada de 1.405 MW. A decisão cabe ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).
Zymler afirmou que a demora aumenta as dívidas e o investimento necessário para uma eventual retomada. “É um luxo nós não decidirmos. Isso me incomoda profundamente”, declarou.
Segundo o ministro, o atraso pode elevar o custo da energia necessária para viabilizar o projeto: a estimativa teria passado de cerca de R$ 600 para R$ 800 por MWh em 2 anos e poderia chegar a R$ 1.000 por MWh caso a definição leve outros 2 anos.
O ministro também defendeu que o valor econômico da geração firme de Angra 3 seja considerado nos estudos.
