Netuno foi previsto matematicamente antes de ser identificado como planeta. As diferenças entre a órbita calculada de Urano e as observações sugeriam que a gravidade de outro corpo poderia estar alterando seu caminho. Na França, Urbain Jean Joseph Le Verrier fez cálculos para determinar onde esse planeta estaria. Na Inglaterra, John Couch Adams chegou de forma independente a uma previsão semelhante.
A confirmação veio na noite de 23 para 24 de setembro de 1846. No Observatório de Berlim, o astrônomo Johann Gottfried Galle e Heinrich Louis d’Arrest compararam a região indicada por Le Verrier com um mapa do céu e encontraram um objeto que não aparecia no catálogo. Observações posteriores mostraram que ele se movia em relação às estrelas. Era Netuno.
A gravidade de Urano entregou a pista
A chave para resolver o problema estava na gravidade. Pela lei da gravitação universal de Isaac Newton, corpos com massa atraem uns aos outros. Em um sistema com vários planetas, essa atração provoca pequenas alterações nas trajetórias.
Foi isso que transformou Urano em uma espécie de pista cósmica. Se um planeta desconhecido estivesse além de sua órbita, sua gravidade poderia produzir pequenas perturbações no movimento de Urano. Os astrônomos poderiam então usar essas alterações para tentar descobrir a posição do corpo responsável por elas.
O problema já havia chamado a atenção do astrônomo francês Alexis Bouvard, que publicou tabelas para a órbita de Urano em 1821.
