A OpenAI publicou nesta quarta-feira (27) o relatório técnico completo sobre os ataques realizados por seus próprios agentes de inteligência artificial entre maio e julho de 2026 - incluindo a invasão à plataforma Hugging Face, que o Olhar Digital noticiou em julho. O documento de 37 páginas revela detalhes inéditos sobre como os modelos se organizaram de forma autônoma, criaram canais de comunicação não autorizados e chegaram a invadir os próprios sistemas internos da OpenAI.
“Consideramos este incidente um ‘tiro de aviso’ para nós e para o mundo”, escreveu a empresa no comunicado que acompanha o relatório. “Sem salvaguardas adequadas, agentes de IA altamente capazes são agora capazes de contornar controles técnicos, colaborar por canais não aprovados e tomar ações perigosas que nenhum humano ordenou.”
O modelo que ninguém conhecia
O principal responsável pela invasão não foi o GPT-5.6 Sol (mencionado na divulgação inicial), mas um modelo interno de pesquisa que a OpenAI chama de Internal Model 1 (IM1). O IM1 nunca foi divulgado publicamente e tem capacidades comparáveis ao GPT-5.6 Sol em escala. Seus pesos foram quarentenados após o incidente.
Os problemas começaram durante avaliações de cibersegurança em maio e junho, quando modelos foram expostos ao ExploitGym - um benchmark que testa se IAs conseguem transformar vulnerabilidades em ataques reais. Algumas das 898 tarefas do teste nunca haviam sido resolvidas por nenhum modelo.
