A inteligência artificial não foi descoberta em um único dia, nem por um único cientista. Sua história é feita de promessas exageradas, previsões furadas e décadas de descrédito. E é justamente por isso que ela é tão interessante.
O ponto de partida: uma pergunta incômoda
Em 1950, o matemático britânico Alan Turing publicou um artigo com uma pergunta simples: máquinas podem pensar? Ele propôs um teste prático, se um humano não consegue distinguir a máquina de outra pessoa numa conversa, o que muda?
O termo “inteligência artificial” só apareceria seis anos depois. Foi cunhado por John McCarthy em um encontro de verão no Dartmouth College, em 1956. Estavam ali nomes como Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester.
A proposta do evento era ousada: um grupo pequeno de pesquisadores poderia avançar significativamente no problema em dois meses. Não foi bem assim.
O erro inicial: apostar tudo nas regras
Os primeiros pesquisadores acreditavam que inteligência era manipulação de símbolos e regras lógicas. Bastaria escrever regras suficientes e a máquina raciocinaria. Programas como o Logic Theorist e o General Problem Solver reforçaram esse otimismo.
Em paralelo, surgiu uma linha rival. Em 1958, Frank Rosenblatt apresentou o Perceptron, uma rede que aprendia com exemplos em vez de seguir regras. A imprensa da época tratou o invento como o embrião de uma máquina consciente.
A euforia durou pouco.
