O mercado global de café caminha de um cenário de escassez para um ambiente de maior oferta, movimento que tende a aumentar a pressão sobre as cotações nos próximos meses, segundo análise do Rabobank, divulgada nesta quarta-feira (26).
Com a colheita brasileira próxima do fim e a perspectiva de entrada de cafés de outras origens no mercado internacional, o banco avalia que a disponibilidade global deve crescer e contribuir para a recomposição dos estoques.
A mudança já aparece nos preços. Entre o início do ano e agosto, o café arábica recuou 5,6% nas bolsas internacionais, de US$ 3,57 por libra-peso para US$ 3,37 por libra-peso.
Na bolsa de Londres, o robusta teve queda de 7,6%, de US$ 4.132 para US$ 3.816 por tonelada. O primeiro semestre foi marcado por uma forte correção das cotações, seguida de recuperação parcial no terceiro trimestre, com maior volatilidade no arábica, avaliou o banco holandês.
Apesar da tendência de baixa no acumulado do ano, alguns fatores limitaram uma queda mais acentuada dos preços. O atraso na colheita brasileira de arábica reduziu temporariamente a pressão de oferta, enquanto a demanda por robusta permaneceu aquecida, refletida no desempenho das exportações brasileiras.
O banco chama atenção ainda para um descolamento entre as bolsas internacionais e o mercado físico no Brasil. Segundo a análise, as oscilações dos contratos futuros não foram integralmente transferidas aos preços recebidos pelos produtores brasileiros.
