A primeira fotografia de um buraco negro, divulgada em 2019, não saiu de um pen drive nem foi baixada pela internet. Ela viajou dentro de discos rígidos, dentro de malas, dentro de aviões. O volume de dados coletado era grande demais para qualquer conexão de rede.
A imagem mostra M87*, o buraco negro supermassivo no centro da galáxia Messier 87, a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra. Para capturá-la, a colaboração Event Horizon Telescope (EHT) teve que resolver um problema de logística tão grande quanto o desafio científico.
Seis lugares do planeta viraram um só telescópio
Nenhum radiotelescópio isolado tem alcance suficiente para fotografar algo tão pequeno e distante quanto a sombra de um buraco negro. A solução foi combinar antenas espalhadas pelo mundo, no Havaí (EUA), no Arizona (EUA), no México, no Chile, na Espanha e na Antártida. Juntas, elas funcionaram como um único instrumento do tamanho da Terra.
Essa técnica se chama interferometria de longa linha de base, ou VLBI, sigla em inglês para Very Long Baseline Interferometry. Cada antena registra o mesmo sinal de rádio vindo do espaço, com um relógio atômico marcando o instante exato de chegada da onda.
Depois, supercomputadores combinam os registros de todas as estações, como se fossem peças de um quebra-cabeça.
Em abril de 2017, oito radiotelescópios apontaram simultaneamente para o centro de M87, durante uma janela de bom tempo em todos os locais ao mesmo tempo.
