O mercado brasileiro de carne bovina entra no terceiro trimestre de 2026 em um cenário de maior cautela para as exportações, mas com fundamentos que ainda devem dar sustentação aos preços do boi gordo. Segundo análise do Rabobank, a redução das compras chinesas e a suspensão temporária dos embarques para a União Europeia devem limitar o ritmo das vendas externas nos próximos meses. Por outro lado, a menor disponibilidade de animais para abate tende a impedir uma queda mais acentuada da arroba.
O movimento de desaceleração já apareceu nos dados de julho. Os embarques brasileiros de carne bovina somaram cerca de 258 mil toneladas no mês, uma queda de 17% em relação a junho e também na comparação anual. O principal impacto veio da China, que reduziu em 48% o volume importado do Brasil.
Com os embarques destinados ao mercado chinês próximos de 857 mil toneladas no acumulado do ano, cresce a expectativa de esgotamento da cota disponível nos próximos meses. Na avaliação do Rabobank, esse cenário deve reduzir o apetite de compra da China no segundo semestre e aumentar a volatilidade tanto das exportações quanto dos preços do boi gordo.
A pressão sobre a arroba já começou a aparecer. A média de julho ficou próxima de R$ 335,50 por arroba, segundo o levantamento citado pelo banco, e foi o segundo menor valor mensal de 2026.
Mesmo com a piora das perspectivas para as exportações, o Rabobank avalia que o espaço para uma queda mais forte dos preços é limitado.
