Em outubro de 2025, participei da organização do maior hackathon do mundo numa cidade do interior do Rio Grande do Sul. O mesmo acontecia em outras 550 cidades, 167 países, com mais de 114 mil participantes. Uma operação global coordenada pela Divisão de Ciências da NASA. O Local Lead em Lajeado era um mero aluno de graduação.
Conto isso não por vaidade. Conto porque o que veio antes disso importa mais.
Anos antes, ainda no ensino médio técnico, participei do NASA Space Apps pela primeira vez, de forma remota, durante a pandemia. Alguma coisa ficou. A sensação de que problemas reais podiam ser atacados com dados abertos, criatividade e 48 horas de foco.
Nos anos seguintes, tentei participar das edições presenciais, mas o evento mais próximo ficava a horas de distância. A distância sempre venceu.
O que me incomodava não era só a logística. Era olhar para a universidade onde estudava e ver talentos que se formavam e partiam. Não por falta de capacidade. Por falta de ambiente. E me perguntava: quem é responsável por criar esse ambiente? A resposta óbvia seria a instituição. Mas a instituição, descobri, tem outras prioridades.
Tentei criar um hackathon do zero no ano anterior. Não deu. Falta de apoio, de estrutura, de pessoas dispostas a puxar o peso junto. Aprendi mais com esse fracasso do que com muita coisa que passou pela sala de aula.
No ano seguinte fui aprovado pela organização do NASA Space Apps. Recebi treinamentos direto da equipe global. Organizei o evento.
