O TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) pode levar quase sete anos entre o início dos sintomas e a busca por ajuda. Segundo a psiquiatra Raíza Alves Pereira, alguns dos sintomas que mais provocam sofrimento são justamente aqueles que os pacientes têm maior vergonha de revelar.
O TOC é mais frequente em mulheres e costuma surgir no fim da adolescência ou no início da vida adulta, embora possa começar em outras fases da vida. Entre os fatores de risco está o histórico familiar. Estimativas apontam que cerca de 40% da variação na expressão do transtorno pode estar relacionada a fatores hereditários.
De acordo com Raíza, o paciente pode interpretar o conteúdo desses pensamentos como uma informação sobre seu próprio caráter.
“A maioria dos pacientes reconhece que seus pensamentos são excessivos e incongruentes com o que acreditam. Muitos passam a interpretá-los como evidência de um defeito moral, como se um pensamento tivesse o mesmo peso que uma ação”, afirma a psiquiatra.
Embora o TOC seja frequentemente associado à limpeza excessiva e à organização, o transtorno pode se manifestar de diferentes formas. Uma meta-análise internacional publicada em 2025 no Journal of Affective Disorders ajuda a dimensionar o tempo que muitas pessoas permanecem sem tratamento.
O trabalho, que reuniu dados de 31 estudos, com 5.960 pacientes, concluiu que as pessoas com TOC levam, em média, 6,97 anos entre o início do transtorno e a busca por ajuda.
