O uso de modelos de inteligência artificial (IA) mais baratos está ganhando espaço entre empresas e pode colocar em xeque a estratégia dos grandes laboratórios de tecnologia de concentrar investimentos em sistemas cada vez maiores e mais sofisticados. Segundo dados de 70 mil empresas americanas coletados pela plataforma de pagamentos Ramp e divulgados pelo Financial Times, o Fable 5, modelo mais caro e avançado da Anthropic, representa apenas 11% dos gastos totais dessas companhias com as ferramentas de IA da empresa.
O levantamento indica uma mudança no comportamento dos clientes corporativos. Em vez de utilizar os modelos mais potentes para todas as atividades, as empresas estariam recorrendo a sistemas mais baratos, incluindo versões anteriores da própria Anthropic e modelos de código aberto desenvolvidos por concorrentes chineses, para tarefas consideradas menos complexas.
Para Miles Clements, sócio da empresa de capital de risco Accel, que investiu US$ 1 bilhão na Anthropic, “a maioria das pessoas não precisa operar na vanguarda”, segundo declaração ao Financial Times. Ele também afirmou que o período em que os clientes preferiam utilizar exclusivamente modelos de ponta “não foi uma era duradoura”.
O cenário ganha importância diante das expectativas em torno da Anthropic e de uma possível oferta pública inicial de ações da empresa.
