Nas últimas semanas, o presidente Lula descobriu que ainda lhe restava um eixo programático para a pré-campanha de 2026: a “defesa da soberania nacional” contra Donald Trump e, por extensão, contra Flávio Bolsonaro, acusado de alinhamento subserviente com Washington. Do outro lado, o senador e provável adversário responde com inventividade igualmente notável: brandindo a bandeira, entoando o hino e repetindo a fórmula inesgotável “Brasil acima de tudo”.
Ambos evocam um sentimento de amor à pátria que é parte da alma humana, querem dividir os brasileiros com base em quem ama mais o país, e com isso acabam reduzindo uma virtude que tão desesperadamente precisamos recuperar.
Em quase nenhum momento dos últimos meses se ouviu, em qualquer dos lados, uma reflexão substantiva sobre o que é, exatamente, a pátria que se diz amar. Amor à pátria mais parece, vindo de tais discursos, apenas uma ferramenta retórica em que se busca agitar um símbolo sem plenamente compreendê-lo. Se esse é um dos temas que de certo dominará as eleições de 2026, nos questionemos, com rigor: O que é, afinal, patriotismo?
Em 21 de abril de 1792, foi enforcado um alferes mineiro chamado Joaquim José da Silva Xavier. Quase um século depois, a República, instalada por uma quartelada positivista que ninguém pediu, descobriu que precisava de um herói fundador, e Tiradentes, postumamente conveniente, recebeu a função.
