Como clínico geral e nefrologista, tenho recebido em meu consultório um número crescente de pacientes, a priori saudáveis, que chegam assustados com uma dosagem de creatinina alterada em um exame de rotina. A maioria é jovem, pratica atividade física regular e faz uso de suplementos, especialmente a creatina. A reação é quase sempre a mesma: o medo de que os rins estejam parando de funcionar.
Creatina e creatinina: nomes parecidos, funções diferentes
Antes de entrar em pânico, é preciso entender o que está acontecendo. E, para isso, vale a pena conhecer duas substâncias que, apesar de terem nomes quase iguais, desempenham papéis muito diferentes no organismo.
Creatina: a bateria do músculo
A creatina é uma substância natural, produzida pelo próprio corpo e também obtida pela alimentação, especialmente por meio de proteína animal. Ela fica armazenada principalmente nos músculos e funciona como uma reserva de energia rápida para a contração muscular. Quando você faz um esforço intenso, como levantar peso ou correr uma arrancada, é a creatina que fornece energia imediata para o músculo trabalhar.
Por causa dessa capacidade, a creatina se tornou um dos suplementos mais populares do mundo, usada por quem busca ganho de massa muscular e melhor desempenho físico. É segura, é eficaz e tem décadas de estudo por trás.
Creatinina: o que sobra
A creatinina é o produto de degradação da creatina.
