A proximidade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino é interpretada por integrantes do Congresso Nacional como uma tentativa de enfraquecer o Poder Legislativo. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, em entrevista ao WW.
Segundo Garman, o cenário político brasileiro é marcado por uma tensão constante entre os poderes, e o pano de fundo das eleições tem intensificado a percepção de uma aliança mais estreita entre o Executivo e o STF em detrimento do Congresso.
Emendas parlamentares no centro do conflito
De acordo com Garman, Flávio Dino tem conduzido investigações sobre emendas parlamentares, construindo progressivamente uma base jurídica para questionar o uso desses recursos.
“A expectativa que se comenta muito em Brasília é que, se Lula vier a prevalecer nessa disputa, talvez possamos ter uma ação mais incisiva do Supremo em regulamentar e restringir o uso dessas emendas parlamentares”, afirmou o especialista.
Garman destacou que a indicação de Dino e sua proximidade com Lula são vistas, dentro do Congresso, como uma tentativa de reduzir o poder do Legislativo sobre o orçamento. “Essa é uma briga que está por vir e vai ser muito importante para 2027”, disse ele.
