A evolução dos sistemas de cruzamento bovino no Brasil ganha um novo capítulo com a estruturação do senangus, uma nova raça sintética pensada para atender às demandas de adaptabilidade e qualidade superior de carne.
O pecuarista e selecionador Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), apresentou em entrevista ao Giro do Boi o projeto de formação do composto, que resulta do acasalamento entre o Senepol e o Aberdeen Angus.
A iniciativa busca combinar em um único indivíduo a tolerância ao calor do taurino caribenho e o acabamento de carcaça característico da raça britânica. Do senepol, o senangus herda a docilidade, a habilidade materna, a resistência a endo e ectoparasitas e o gene de pelo curto, essencial para o pastejo sob altas temperaturas.
Por parte do angus, a nova opção genética incorpora a precocidade sexual, o ritmo de ganho de peso diário (GMD), a deposição de gordura subcutânea e a maciez com marmoreio da carne. O objetivo do programa é entregar ao mercado pecuário um bovino de ciclo curto, alto rendimento no gancho e facilidade de terminação a pasto ou em confinamento.
O diferencial prático do uso de reprodutores senangus (50% senepol + 50% angus) surge no acasalamento direto sobre fêmeas zebuínas a campo. Ao cobrir matrizes Nelore na monta natural, o touro gera um produto tricross (25% senepol, 25% angus e 50% zebu) com 100% de heterose.
