A safra 2026/27 de cacau na África Ocidental deve começar com produção inferior à registrada no ciclo anterior, segundo avaliação do analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Lucca Bezzon. Costa do Marfim e Gana, os dois principais produtores da região, anteciparam em um mês o início oficial da nova temporada. Com isso, os primeiros relatos de oferta são esperados já na próxima semana.
Tradicionalmente, as entregas da nova safra começam em outubro. A antecipação faz com que os dados de oferta ganhem importância para a formação dos preços dos contratos futuros de cacau nas próximas semanas.
Ainda há incertezas sobre o volume que será produzido em 2026/27. De acordo com Bezzon, apesar das chuvas mais intensas durante o desenvolvimento das lavouras, o clima apresentou irregularidades que podem afetar o potencial produtivo.
“O mês de junho foi preocupante, com um índice expressivo de abortamento de vagens e relatos subsequentes de desenvolvimento mais fraco dos frutos”, afirmou o analista.
Outro fator de atenção é o desempenho da safra 2025/26, que foi superior às expectativas, especialmente na colheita intermediária. Segundo o analista, o resultado mais forte da temporada anterior pode ter provocado estresse fisiológico nas plantas, reduzindo o ritmo da safra principal de 2026/27.
Órgãos oficiais de Gana e da Costa do Marfim já trabalham com uma produção cerca de 10% menor na nova temporada em comparação com o ciclo passado.
