A Casas Bahia enfrenta uma grave crise financeira que culminou no pedido de recuperação judicial e no fechamento de 298 unidades em todo o país. Segundo Claudio Damasceno, sócio da consultoria RGF Bizdoc, o setor varejista brasileiro passa por uma mudança estrutural que não é exclusiva de nenhuma empresa em particular.
“Quem se preparou nesse esforço de gestão está bem e avança na turbulência que estamos vivendo com saúde. Quem não se preparou e entrou nessa crise descapitalizada e, sobretudo, alavancada do ponto de vista financeiro, vive problemas graves”, afirmou Damasceno em entrevista ao CNN Agora de domingo (23).
Para Damasceno, o Brasil convive hoje com uma produção mundial deslocada para a China e com o estímulo à compra de produtos mais baratos. Ele citou, como exemplo, a revogação da “taxa das blusinhas”.
“É uma concorrência muito poderosa dentro de uma economia que está fragilizada e é muito cara. E a gente tem um esforço público de governo que não está atendendo simultaneamente necessidades estruturais da indústria e do varejo”, observou o especialista.
Situação da Casas Bahia
Segundo Damasceno, a crise da Casas Bahia tem raízes profundas e antigas. “A gente vive um problema societário que começou há mais de 15 anos”, afirmou.
Para ele, esse problema atrasou as transformações necessárias para que a empresa se adaptasse à disrupção provocada pela tecnologia, algo que o varejo como um todo precisou enfrentar com rapidez.
