O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa chamou atenção para uma enfermidade rara e agressiva. Hoje, não há tratamento capaz de interromper ou reverter a doença, mas pesquisadores já testam medicamentos desenvolvidos para interferir no mecanismo dos príons.
A informação é apresentada por Tuane Vieira, doutora em Química Biológica e professora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ em artigo no The Conversation. Segundo ela, dois desses medicamentos já estão sendo avaliados em pacientes, enquanto outra frente investiga compostos que possam agir sobre agregados de proteínas já existentes.
O que acontece no cérebro
A DCJ é provocada por príons, formas anormais de uma proteína produzida pelo próprio organismo. Uma proteína alterada pode induzir outras a mudar de estrutura. O processo se repete e, aos poucos, os agregados comprometem o funcionamento do cérebro.
A doença atinge de um a dois casos por milhão de habitantes por ano. Na maioria das vezes, surge de forma esporádica, sem uma fonte de infecção identificável, e não passa de uma pessoa para outra pelo contato cotidiano.
“Não existe, hoje, terapia capaz de deter ou reverter a DCJ”, afirma Vieira. O atendimento atual é de suporte, com foco no controle dos sintomas e no conforto do paciente.
Medicamentos começam a ser testados
Uma das ideias em estudo é reduzir a produção da proteína normal que serve de matéria-prima para novos príons.
