Eu estava em um restaurante japonês tradicional, jantando com outro executivo de tecnologia, quando a conversa chegou naquele assunto que, de vez em quando, aparece para quem já tem alguns bons anos de estrada: até quando vamos continuar fazendo isso?
Nossas carreiras foram diferentes, mas, de uma forma ou de outra, passamos por muita coisa parecida. Quem tem alguns bons anos de tecnologia sabe do que estou falando.
A conversa foi passando por carreira, aposentadoria, o que ainda queremos fazer e o que definitivamente não queremos mais fazer.
Até que surgiu a frase:
“Tá difícil de morrer” - no sentido de “tá difícil parar”.
Eu ri.
Mas a frase ficou comigo.
Às vezes acho que todo profissional de tecnologia precisa ser um pouco budista. Não necessariamente para alcançar a iluminação, mas para aprender a conviver com o sofrimento.
Porque ele vem.
O prazo impossível vem. O sistema cai. A mensagem fora de hora dizendo “deu problema” chega. E aquele problema que ninguém sabe de onde surgiu também aparece.
E, de alguma forma, a gente aprende a conviver com tudo isso.
Pior: às vezes até se diverte.
Tem alguma coisa estranha nessa profissão. A gente reclama, sofre, xinga, resolve, ri depois e, no dia seguinte, começa tudo de novo.
Quem trabalha com tecnologia sabe que essa carreira não é exatamente uma sequência de decisões racionais.
Quem nunca fez uma alteração em produção no meio do expediente e pensou: “vai dar certo”?
