“A lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo” (Habacuque 1:4)
Em 63 a.C., Cícero perguntou célebremente a Catilina, no Senado, até quando ele abusaria da paciência da República. A pergunta não era retórica: tratava-se de uma grave acusação. O Senado sabia da conspiração, mas hesitava em nomeá-la. É essa mesma estrutura, o mal reconhecido, mas não enfrentado por quem deveria combatê-lo, que reaparece agora em um novo contexto: os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e preparam operações terrestres contra elas, com o apoio de Colômbia, Equador, Argentina, Paraguai, Chile e El Salvador. O Brasil, país de origem de ambas as facções, ficou de fora.
Mais de seis séculos antes de Cícero, o profeta Isaías chamou as autoridades de seu tempo de “companheiras de ladrões”. A imagem não é exagerada para o caso brasileiro. Reportagens recentes mostram que o regime luloalexandrino fez lobby em Washington contra a classificação dessas organizações como terroristas. Trata-se, afinal, de uma afinidade histórica. O Comando Vermelho nasceu do convívio, em Ilha Grande, entre presos comuns e militantes da esquerda armada, enquanto o PCC herdou de aliados do mesmo campo político, os terroristas do MIR chileno, sequestradores de Abílio Diniz e frequentadores do Foro de São Paulo, tecnologias de coordenação que o transformaram em uma rede transnacional.
