O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda), declarou no sábado (22.ago.2026) que as negociações com Washington não avançaram por causa de ameaças dos Estados Unidos à língua e à cultura francesas na província do Quebec.
Carney declarou que esteve próximo de fechar um acordo global e justo para os 2 países com o governo de Donald Trump (Partido Republicano). Disse, contudo, que o governo norte-americano “mudou de ideia”.
“Parecia que estávamos prontos para ter um acordo […] Mas eles mudaram [de ideia], incluindo as ameaças contra a língua francesa e a cultura, a cultura quebequense, a cultura canadense. Isso não é aceitável, nunca foi aceitável, e por causa disso é o fim desta etapa de negociação”, afirmou.
O Canadá é um país oficialmente bilíngue (inglês e francês são os idiomas oficiais), mas o Quebec é a única província cuja única língua oficial é o francês. O governo local obriga o uso de francês em rótulos, manuais de eletrodomésticos, softwares e embalagens. Para vender na província, empresas globais (como Apple, Samsung e Sony) precisam adaptar as cadeias de suprimento e produzir embalagens e manuais multilíngues.
Para proteger o idioma, o Quebec aprovou a lei 101 de 1977, que transformou o francês na única língua oficial da província, exigindo o seu uso no governo, na Justiça, na educação, no trabalho e no comércio.
