Vim a São Paulo a trabalho. Reuniões, compromissos, treinamento, agenda cheia. Mas resolvi fazer uma coisa diferente desta vez: aproveitar os espaços entre um compromisso e outro para reencontrar algumas pessoas que fizeram parte da minha história.
Em um desses intervalos, tirei o dia para almoçar com um grande amigo. Daqueles almoços sem hora para acabar, em que a conta chega muito antes de a conversa terminar.
Falamos da vida, dos filhos, do trabalho, das escolhas que fizemos e das pessoas que nos tornamos. E, em determinado momento, enquanto o escutava, comecei a perceber uma coisa que talvez ele próprio nunca tenha percebido.
Muitos anos atrás, aquele amigo me mostrou uma São Paulo que eu não conhecia.
E não estou falando apenas da cidade.
Ele me apresentou um jeito diferente de olhar as coisas. De entender pessoas, possibilidades, negócios, lugares. De alguma maneira, através dos olhos dele, conheci também um Brasil diferente daquele que eu conhecia.
Depois voltei para São Luís.
Levei minha vida adiante, construí empresas, fiz negócios, acertei, errei, conheci outras pessoas. E nunca parei para pensar quanto daquele novo olhar havia viajado comigo.
Até aquele almoço.
Foi quando me ocorreu uma frase conhecida: ninguém mora na minha mente sem pagar aluguel.
Normalmente usamos essa expressão para falar de quem nos incomoda. É uma forma de dizer que não devemos permitir que alguém que nos fez mal continue ocupando gratuitamente nossos pensamentos.
Faz sentido.
