Uma terapia experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Harvard começou a ser testada em pacientes com doenças priônicas, grupo de enfermidades neurodegenerativas raras e fatais que inclui a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). As informações foram divulgadas pela Harvard Magazine, em reportagem publicada na edição de setembro-outubro de 2026.
O tratamento utiliza uma tecnologia conhecida como RNA de interferência pequeno (siRNA), molécula desenvolvida para reduzir a produção da proteína priônica (PrP), considerada central no desenvolvimento dessas doenças.
As doenças priônicas ocorrem quando proteínas priônicas assumem uma conformação anormal e passam a se acumular no sistema nervoso. A presença dessas proteínas alteradas está associada à destruição progressiva do tecido cerebral e ao aparecimento de sintomas neurológicos graves.
A DCJ é a doença priônica mais comum em humanos. Segundo os pesquisadores citados pela Harvard Magazine, a enfermidade provoca cerca de 500 mortes por ano nos Estados Unidos. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2005 e 2021, foram registrados 1.576 notificações de casos suspeitos da doença no Brasil.
A doença pode causar demência rapidamente progressiva, alterações visuais, dificuldade para falar e engolir, perda do controle dos movimentos e outros comprometimentos neurológicos. Depois do início dos sintomas, a evolução costuma ser acelerada, e a maioria dos pacientes morre em aproximadamente um ano.
