No dia 16 de agosto, Madonna completou 68 anos. Pouco mais de um mês antes, no dia 3 de julho, ela lançou Confessions II, uma reedição de Confessions on a Dance Floor, álbum originalmente lançado em 2005.
Para acompanhar o projeto, veio também um curta-metragem cujo figurino parece funcionar como uma espécie de retrospectiva da própria linguagem visual construída pela cantora ao longo de quatro décadas.
Grande parte do elenco veste Dolce & Gabbana. Madonna aparece em peças exclusivas, itens de arquivo e releituras de modelos da marca, entre corsets, rendas, látex, couro, roupas ajustadas ao corpo, botas e referências ao universo BDSM.
Nada disso deveria surpreender.
Quando lançou seu primeiro álbum, em 1983, Madonna já havia entendido uma coisa que boa parte da indústria da música ainda demoraria para perceber: música e imagem poderiam funcionar como uma única narrativa. Saias de tule, grandes laços, crucifixos, luvas de renda e sobreposições ajudaram a criar uma personagem imediatamente reconhecível.
Depois vieram a lingerie, os corsets, os símbolos religiosos e uma série de elementos que passaram a fazer parte da cultura pop. Madonna entendeu antes de muita gente o poder da roupa na cultura pop.
Nos anos 1990, ela fez isso novamente. A era Erotica levou sua imagem para um território mais sombrio e sexualizado, tornando-se também uma das fases mais controversas de sua carreira.
Mais de 30 anos depois, pouca coisa parece ter mudado.
