A cúpula internacional de Gana sobre reparações pela escravidão, realizada em junho, incluiu uma reconstituição do comércio transatlântico de escravizados.
Ernest Ankomah/Getty Images/BBC Brasil
Este ano assistimos a uma mudança drástica no tom do debate global sobre o tráfico transatlântico de escravizados.
A exigência de pedidos formais de desculpas, perdão de dívidas e compensação financeira por parte das nações e instituições que lucraram com a escravidão se tornou cada vez mais forte.
Em março, as Nações Unidas (ONU) aprovaram uma resolução reconhecendo a escravidão como "o maior crime contra a humanidade", embora os Estados Unidos e a Argentina tenham votado contra a resolução e todas as nações europeias se abstivessem.
O Reino Unido, que juntamente com Portugal dominou o tráfico transatlântico de escravizados, tem rejeitado consistentemente a ideia de pagar reparações, o que talvez não seja surpreendente, visto que as estimativas do que a Grã-Bretanha "deve" em danos às nações afetadas chegam a muitos trilhões de libras esterlinas.
No entanto, essa resistência não deteve o país que se tornou a principal voz em matéria de reparações: Gana.
Foi Gana que apresentou a resolução à ONU e, em junho, foi realizada uma cúpula sobre reparações na sua capital, Accra, com delegados de cerca de 80 países, que concluíram que a compensação era uma dívida de longa data.
"Gana sempre foi um líder pan-africano.
O país que pede reparações dos EUA e da Europa pela escravidão
