Ao reduzir repentinamente a escala dos exercícios militares com a Coreia do Sul, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, corre o risco de contrariar seu próprio objetivo declarado de fazer com que Seul assuma mais responsabilidade por sua própria defesa.
Os exercícios anuais Ulchi Freedom Shield, que envolvem dezenas de milhares de soldados, tiveram sua escala reduzida pela metade a pedido de Washington, depois que Trump afirmou, no fim de semana passado, que as manobras desagradavam seu amigo - o líder norte-coreano Kim Jong Un - e custavam muito dinheiro aos EUA.
Esses exercícios “enviam um sinal totalmente inadequado e hostil”, publicou Trump na rede social Truth Social no domingo, no que pareceu ser uma tentativa de apaziguar o reservado Kim, com quem Trump deseja se encontrar novamente.
A parte sobre a natureza “hostil” é difícil de conciliar com o caráter defensivo dos exercícios e é surpreendentemente semelhante à forma como a mídia estatal da Coreia do Norte descreve as manobras.
Washington e Seul afirmaram repetidamente que o objetivo é a dissuasão e a defesa, e não a tomada de territórios ao norte da zona desmilitarizada que divide as Coreias desde o armistício de 1953.
