O Brasil não elegia um presidente da República pelo voto popular desde 1960. Quando a campanha de 1989 começou, o país vivia sob o impacto de uma hiperinflação que corroía o poder de compra e testava os limites da recém-promulgada Constituição Cidadã de 1988. Nesse cenário de incertezas e de efervescência política, a televisão assumiu um papel central para organizar a disputa partidária e apresentar os candidatos ao eleitor. O marco inicial dessa transformação ocorreu na noite de 17 de julho de 1989, quando os brasileiros assistiram ao primeiro debate presidencial transmitido em rede nacional. O evento não apenas definiu os moldes da comunicação política moderna no país, mas transferiu definitivamente o peso das campanhas dos comícios de rua para a tela da TV.
O fim do jejum democrático e a estreia na televisão
A transição da ditadura militar para o regime democrático exigiu uma reformulação completa das regras do jogo eleitoral. Durante quase três décadas, o eleitorado brasileiro foi impedido de escolher o chefe do Poder Executivo de forma direta. A eleição de 1989, portanto, reunia uma demanda reprimida por participação popular e um recorde de 22 candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto.
Sem a experiência de debates televisionados para cargos executivos nacionais, as campanhas dependiam quase exclusivamente do rádio, dos jornais impressos e do contato físico nas ruas.
