A ideia de que as relações internacionais pertencem exclusivamente à burocracia de Brasília está superada. No século 21, a fronteira entre as decisões domésticas e as disputas globais desapareceu: a capacidade de gerar empregos, atrair capital e proteger a produção nacional é determinada pelo posicionamento geopolítico do país. Desde o preço dos fertilizantes até os investimentos em infraestrutura, o cotidiano do cidadão depende da política externa. Em um mundo moldado pela rivalidade entre potências, o amadorismo ideológico e a instabilidade reputacional cobram um preço alto. Para reestruturar a inserção internacional do Brasil, é imperativo substituir o voluntarismo por um pragmatismo liberal, firme e voltado para o interesse nacional.
Essa inflexão exige a recomposição dos laços de confiança com as democracias liberais do Ocidente, Estados Unidos, União Europeia e parceiros do Indo-Pacífico, e a garantia da segurança jurídica indispensável à atração de investimentos e à cooperação estratégica. Em relação aos regimes autoritários, o país deve adotar uma postura madura: preservar os canais com grandes mercados compradores sem conceder chancela política a modelos autocráticos. No âmbito regional, cabe ao Brasil liderar a modernização do Mercosul e flexibilizar o bloco para permitir que seus integrantes firmem acordos bilaterais em ritmos distintos.
