De repente, a colocação de uma vírgula em uma frase trivial, como “Oi, amigo”, começou a incomodar as pessoas e despertar desconfiança: será que quem escreve assim está usando inteligência artificial? Mesmo exagerada, a questão revela uma mudança curiosa na forma como avaliamos um texto.
Criadora da página “Português é legal”, a doutoranda e mestre em educação Carol Jesper afirma: “durante muito tempo, o problema foi o medo de ser julgado por não dominar a norma-padrão. Agora surge, em alguma medida, o medo de ser julgado por dominá-la”.
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Em entrevista à CNN Brasil, a autora do livro “Não foi isso que eu quis dizer” explica que a preocupação vai além da língua em si: está também na forma como isso faz os outros pensarem sobre quem escreve. Em outras palavras, o problema nunca foi apenas escrever certo ou errado, mas sim o julgamento da sociedade.
Se, antes da IA, havia uma associação bastante automática entre um texto sem erros e uma pessoa estudada, inteligente ou competente, agora começa a surgir um outro nexo: se o texto da pessoa é sem erros, provavelmente é porque ela usou IA. Nas duas associações, o problema é o mesmo: confundir a superfície da linguagem com a capacidade intelectual de quem escreve.
Um sinal fortemente associado à escrita do ChatGPT, o travessão, está perdendo força.
