O apelo do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov por eleições presidenciais em tempo de guerra atinge diretamente as vulnerabilidades de Volodymyr Zelensky.
É o maior desafio interno já enfrentado pelo presidente ucraniano. Mas, na prática, provavelmente não resultará em nada.
A queda em sua popularidade, as mudanças de posição em decisões-chave de pessoal e o envolvimento em alegações de corrupção têm cobrado seu preço nas pesquisas de opinião. Uma investigação sobre altos funcionários do gabinete de Zelensky foi anunciada nesta quarta-feira (19). Além disso, um presidente em tempo de guerra por seis anos ininterruptos precisa tomar muitas decisões impopulares.
Agora, o jovem rosto de um reformador, Fedorov, o gênio da tecnologia, ex-ministro da Defesa que foi demitido por tentar combater os métodos arcaicos e corruptos da velha guarda, exige algo puro e democrático: uma votação.
“A democracia não pode ser refém da Rússia. Estamos lutando precisamente porque queremos continuar sendo um Estado europeu livre”, disse ele, em um notável discurso de nove minutos proferido momentos após a confirmação de um novo ministro da Defesa, não ele, de volta ao cargo que desejava. Mas, como muitas coisas em tempo de guerra, a questão não é tão simples assim.
Uma votação é, na verdade, praticamente impossível.
