Mudanças na vegetação tropical que foram vistas ao longo de milhões de anos poderão se repetir em apenas algumas décadas. Estudo de pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) analisou a distribuição de desertos, regiões semiáridas, formações arbustivas, savanas, áreas úmidas e florestas desde o fim do Plioceno, há aproximadamente 3,3 milhões de anos, até o Holoceno tardio -que teve início há cerca de 4.200 anos -, e projetou as alterações potenciais para o período de 2041 a 2060. Os resultados indicam retração das florestas e expansão de savanas e de outras formações abertas, com mudanças mais intensas na Amazônia.
Publicado no Journal of Biogeography, o artigo é assinado pelos professores Ubirajara Oliveira e Britaldo Silveira Soares Filho, do CSR (Centro de Sensoriamento Remoto) da UFMG. Para reconstruir a trajetória da vegetação tropical, os pesquisadores usaram dados climáticos de diferentes períodos para estimar onde estavam os principais tipos de vegetação e se a cobertura vegetal era mais aberta ou fechada. A análise possibilitou identificar mudanças na extensão, na organização espacial e na conectividade dos biomas, além de localizar áreas que permaneceram relativamente estáveis durante milhões de anos.
Segundo Ubirajara, o panorama de mudanças no ambiente poderá repercutir negativamente na continuidade de muitas espécies.
